Textos esporádicos que criei pra uma personagem minha. bgs. (Tah, sei que você adora esse *-*)
___
Sentou-se na cadeira em frente a mesa, olhando diretamente para o homem vestido de branco que se sentava do outro lado e olhou para Dallas, sentado ao seu lado, com frustração brilhando em seus olhos em um pedido silencioso, quase desesperado, para que não a fizesse passar por aquilo. O psiquiatra lhe estendeu um envelope branco e ela o pegou, desgostosa, puxando a folha de papel que continha ali dentro enquanto lançava um olhar irritadiço para o irmão. Muitas palavras que não entendia e não fazia questão de tentar entender, buscou apenas o que lhe indicasse o resultado de toda aquela besteira. Encontrou e seus olhos estreitaram-se com o que lia. Suspirou irritada e deixou os papéis caírem no chão, levantando-se e indo em direção à saída daquela sala sem olhar pra trás. Não pode ver o irmão pegar o pedaço de papel inútil contendo o que seria o resultado de sua avaliação psiquiátrica do chão, apenas conseguiu ouví-lo dizer em um tom interrogativo. - Psicose Maníaco-Depressiva? Não pode ver, também, o psiquiatra confirmar. Parou com a mão na maçaneta e disse em um tom de voz baixo. - Transtorno Bipolar do Humor. Que ridículo! Sorriu debochadamente antes de abrir a porta e deixar o local. Não havia nada de errado com ela, com certeza, não havia nada de errado. Não. Aquilo era simplesmente ridículo. Foi embora tentando se convencer mentalmente, alheia a tudo o que acontecia ao seu redor.
Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma.
Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso, nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro. Nem sei como lhe explicar minha alma. Mas o que eu queria dizer é que a gente é muito preciosa, e que é somente até certo ponto que a gente pode desistir de si própria e se dar aos outros e às circunstâncias. Depois de uma pessoa perder o respeito de si mesma e o respeito de suas próprias necessidades, depois disso fica-se um pouco um trapo. (...) Você veria que há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. (...) Para me adaptar ao que era inadaptável (...) tive que cortar meus aguilhões, cortei em mim a força que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também minha força. (...) Não pude deixar de querer lhe mostrar o que pode acontecer com uma pessoa que fez pacto com todos, e que se esqueceu de que o nó vital de uma pessoa deve ser respeitado. Respeite a você mais do que aos outros, respeite suas exigências, respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver. Juro por tudo que, se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia ia ser punida e iria para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não é ser punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse a minha vida sem eu saber. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade da alma.
Postagem do Gabriel em "A Escolha do Líder Perfeito".
"Você é meu porto seguro, aquele que me segura quando estou prestes a me aprofundar na escuridão, o único que conhece os meus maiores medos e segredos, que me vê além do que sou e me entende melhor do que ninguém. Aquele que não cobra nada em troca e mesmo assim permanece ao meu lado em silêncio, me apoiando, amando e respeitando. Eu te amo, você é eterno em minha vida. Meu melhor amigo, irmão e companheiro. Ontem, hoje e sempre. ♥" - Depoimento meu pra ele em algum dia que aí nem me lembro.
Não tenho muita habilidade pra escrever. Foda-se. É, foda-se é a palavra, é a nossa palavra. Quem escreve aqui é G, outro G, não o G de Gabriela, e sim o G de Gabriela sem o A, rá! Certo, parei.
Estou cursando a faculdade, assim como ela. Eu iria cursar a mesma faculdade que a Gabriela, mas por motivos que eu não sei bem, eu mudei de última hora. Primeira coisa que aprendi foi que você precisa usar a linguagem de seu público. Não me importa quem está lendo isso aqui, porque vou fazer o post pra dona do blog. E vou falar na linguagem dela, até porque, somos irmãos.
Aprendi, fora da faculdade, que a Avaiana de Pau ensina as quiancinha, e que a perfeição está nos olhos de quem vê. Tenho boa memória, mas não me lembro se conheci a Gabi no final de 2006 ou no começo de 2007. Ainda assim, ela foi um puta presentão, e vou chegar onde quero chegar em breve, e explicar porque foi tão bom assim.
"Mas tio!" Vocês irão me perguntar. "Comassim a perfeição nos olhos de quem vê WTF?" Calma, meu caro leitor de merda, aqui está um teste que prova isso em quase cem por cento. Foram colocados os perfis de três bem sucedidos líderes mundiais, e o que estava em jogo, na verdade, não era sua política, e sim sua vida pessoal, aquela que ninguém conhecia. Aqui vai:
Candidato A: foi ligado a curandeiros, consultava astrólogos com freqüência. Possuía duas amantes. Sua mulher era lésbica. Fumava muito. Bebia de oito a dez martinis por dia.
Candidato B: não conseguia permanecer no emprego, por causa de sua arrogância. Dormia a manhã inteira. Usou ópio no colégio, e sempre foi considerado um mau aluno. Bebia um copo de conhaque todas as manhãs.
Candidato C: foi condecorado como herói. Era vegetariano. Não fumava. Tinha uma disciplina exemplar. Ocasionalmente bebia uma cerveja. Permaneceu com a mesma mulher nos seus momentos de glória e nos seus momentos de derrota.
Eu sei que isso não vem a calhar, mas eu ri do primeiro. E aposto como vocês jamais escolheriam o primeiro como melhor dos três. Pois bem, ele foi Franklin Roosevelt, um dos maiores presidentes que a América já elegeu. O segundo? Quem liga pra ele? Ele era ruim na escola! Aliás, como ele conseguia levar ópio pra lá? Enfim, ele foi Winston Churchill, uma pessoa ainda mais bem sucedida do que a primeira, que ficou famosa pela frase "Nada se consegue sem sangue, suor e lágrimas."
Mas agora a coisa fica séria, quando chegamos ao terceiro. E agora eu vos revelo porque estou falando diretamente com a criadora do blog. O nome do candidato C foi Adolf Hitler. Escreveu dois livros ou mais, dois best-sellers. Em sua ganância, foi comparado a Bonaparte. Nenhum outro líder no mundo conseguiu tantos discípulos como Hitler, e aposto que ele teve mais seguidores na Alemanha do que o Ashton no twitter.
A coisa é que eu cheguei onde eu queria. Quem inventou esse negócio de perfeição não tá com nada. O legal é ser mesmo imperfeito. Qual o problema em assumir isso? Qual o problema em sair de pantufas na rua, tropeçar e rir de si mesmo, ou começar a gargalhar sem razão no ônibus? A gente não precisa ser perfeito pra ser perfeito. É isso mesmo. A pessoa realmente perfeita é aquela que lida com seus defeitos muito bem, e não muda nada por ninguém, nem mesmo o que tem de errado, pois sabe que faz parte dela.
Eu precisava de alguém como eu. Precisava de alguém pra amar como se fosse da família, precisava de alguém que eu pudesse dizer que nasceu da mesma mãe. E agora, Gabi, eu posso te dizer isso. Não nascemos da mesma mãe, não temos o mesmo sangue, mas isso tudo é material demais. Somos irmãos e não te deixarei, e eu te amo. Porque quando te conheci, era uma época boa, festiva, e eu ganhei você, uma irmãzinha, alguém que eu conheci e falei "eu vou ficar bem daqui pra frente".
E eis que novamente surge os últimos meses, últimas semanas de um ano infernal. Nunca pude entender ao certo o que se passa na mente de cada pessoa que sorri contente com a expectativa de um novo ano, te juro que nunca pude realmente compreender tudo isso. Será que é a expectativa de presentes? Roupas novas, bugigangas pra colecionar ou qualquer relés objeto que surja em sua mão? Claro, essa é apenas uma hipótese, estou longe de insinuar que todos não passam de malditos capitalistas que sugam as pessoas próximas em busca de mais e mais coisas que lhe seriam totalmente inúteis em suas meras vidas.
Sim, sou uma das poucas (talvez nem tão poucas assim) pessoas que detestam essa época do ano. Sabe, essa felicidade toda, exagerada, que nos fazem sentir como se tudo estivesse perfeitamente bem. Bem onde? No país? No mundo? Ninguém passando fome ou os poucos bens que conseguiram durante uma vida de árduo trabalho durante longos anos pra conseguir sua casa própria sendo perdidos? Claro, para todos os ignorantes, ta tudo bem, ta tudo ótimo.
Devo ser sincera ao dizer que pra mim essa questão toda de paz e igualdade mundial não me é de todo importante e, sendo mais sincera ainda, quero que o mundo se exploda, mas a sério: Pra quê toda essa felicidade exacerbada? Não é nada mais do um ano se passando, festas onde todos ficam bêbados e comem demasiadamente, igualando-se a porcos. Pois bem, comemora-se o que no Natal? Oras, não são os presentes? Não? Oh, claro. Nascimento de Jesus, filho de “deus”. Não passa de hipocrisia. Mas claro que não estou aqui pra julgar ninguém, longe disso. Já comemorei essa data festiva durante muitos anos e era feliz (com meus presentes), assim como na virada do ano, onde eu passava pedindo para todos os adultos presentes para que me dessem o bom e esperado “bom princípio de ano novo”, confesso que cheguei a faturar bastante com isso, muitos doces no outro dia e muitas cáries.
Mas, pra ser ainda mais direta depois de toda essa possível “introdução”, eu não sei o que acontece exatamente comigo nessa determinada época do ano. Eu que sou sempre sorridente, animada, me divirto me embriagando com meus amigos na nossa tão aclamada “praça central” da cidade, sempre tão segura de mim..., fico perdida. Confesso que só me dei conta de que essas malditas festas hipócritas de final de ano estavam se aproximando quando me disseram o exato dia do fim de minhas provas na faculdade na segunda semana de dezembro. Estava em uma pilha de nervos, estressada com qualquer coisa, e culpo as mesmas provas de fim de ano por isso, mas culpo ainda mais a angustia que caiu sobre mim ao notar em que mês eu me encontrava. Tentei me esquecer de tal e até obtive sucesso por um determinado período de tempo, mas quem disse que a mente inútil e desatenta passou despercebida por mim? Não, felicidade escapou por entre minhas mãos novamente.
Os amigos combinaram de comparecer ao nosso nobre local de confraternização de todo final de semana em plena segunda-feira, claro, férias, pensei eu, tenho mais é que aproveitar. Qual foi minha surpresa ao notar o centro da cidade cheio? As lojas todas abertas tarde da noite e me bateu certo sentimento de pânico. Ótimo, comércio aberto até as dez horas da noite, duas semanas pré-natal. Encostei ao banco do carro e pude me permitir afundar em melancolia. Não sou disso e me estranhei, de fato, não sou de me deixar levar por sentimentos chulos. Atrevo-me a dizer, também, que tive vontade de chorar naquele exato momento. Todas aquelas luzes coloridas, cegando-me, aquela multidão fora de suas confortáveis poltronas em seus próprios lares se privando de assistir a novela das 8. Senti-me deslocada, em outro planeta. Senti-me em um mundo só meu, em uma bolha de plástico onde a felicidade, a minha tão aclamada felicidade, não me atingia mais, e sabe de uma coisa?
Aquilo me fez sentir bem, já que na maioria do tempo sinto-me um monstro por considerar-me tão feliz, aquele falta de felicidade fez-me sentir angustiada, tudo o que eu não sentia há tempos. Solidão, remorso, tristeza, senti-me deslocada em meu próprio grupo de amigos e o melhor de tudo, fez-me sentir dor, dor que desconheço a origem. Naquele momento me senti mais humana do que nunca e soube que odiava algo, detestava algo, ou melhor dizendo, aquela determinada época do ano e, naquele momento, tive certeza de que estava preenchida pelo pior sentimento, daquele que sempre fiz questão em dizer sentir nojo: egoísmo, egotismo. Queria clamar pela minha felicidade de volta, voltar com a minha barreira e ter certeza de que tudo voltaria ao normal pra mim..., mas não queria abandonar a minha dor. Eu queria mais que tudo me sentir bem novamente e não ter que pensar em todos os meus problemas enquanto me encontrava naquela maldita fossa, um poço aparentemente sem saídas, ao mesmo tempo em que desejava me sentir como uma pessoa normal, com sua própria angustia.
Decidi-me: voltaria para o topo, felicidade, onde minha vida seguiria sem maiores danos ou arrependimentos. Mas sempre tem algo, ou alguém, pra frustrar todos os seus planos de tentar voltar ao topo. Trataram de fazer com que tudo desmoronasse, jogando marés de água salgada em minha direção enquanto eu estava prestes a voltar para o topo para comemorar todas as festividades como se não me afetasse, onde eu pretendia permanecer sentada na grama ao lado daquele poço fétido e imundo em que eu me encontrei outrora, sem desejar ou pedir muito, apenas um espaço na grama verde. Claro, eu me perguntei o porquê de terem me frustrado tanto quando eu estava tão perto de conseguir.
Eu faço as pessoas que, aparentemente, me amam se afastarem e causo mal a elas por isso, faço-as sofrerem, ao mesmo tempo em que, aparentemente, faço com que a mesma adaga que as perfuraram diversas vezes, atinjam-me justamente nos mesmos lugares, como em um reflexo no espelho. Mas eu não sinto a mesma dor.
Suporto isso tão bem que minha reação quanto ao fato passa a ser ainda pior, afeta suas mentes enquanto a minha permanece intacta e com a mesma linha de raciocínio, mas não é como se fosse proposital, é de minha natureza e permaneço ali, imóvel, sem demonstrar dor. E o que é que fazem? Confundem-me. Os sentidos, a mente. Fico sem reação e me perco no tempo e espaço.
Caio novamente, afundo no poço.
Se, deveras, procuram a pessoa ideal como presente de Natal? Não sei. Se buscam alguém pra uma vida inteira que conheça tudo sobre si, sem dúvidas e sem receios, tampouco me importa. Não sei ser feliz, não busco certezas, não sei o verdadeiro objetivo da minha vida, pra que é que estou aqui, se é pra fazer as pessoas sofrerem e aprenderem com seus próprios erros e caídas, ou se é pra, de fato, eu me foder em tudo o que se passa em minha vida, inclusive com a minha confusão e indecisão. Apesar de pensar, eu não existo; bebo, fumo demais , ajo por impulso, e com certeza não sou a pessoa certa que lhe dará algum futuro na vida.
Procura um presente de Natal pra ser a sua certeza de felicidade, hoje, amanhã e sempre, essa pessoa, com toda a certeza, não sou eu.
E sim, fui falando tudo o que sentia e necessitava dizer no momento, esse foi um desabafo em um momento de frustração em uma péssima época do ano onde as piores coisas acontecem. Se você foi esperto, não perdeu teu tempo lendo isso.